Apuama

Prós & Contras

Vantagens

Perenidade

Embora os colmos tenham uma vida útil variando entre 4 e 15 anos, a touceira (moita) é perene. No Instituto Agronômico de Campinas (Fazenda Santa Elisa) ainda existem as fileiras de bambu comum (Bambusa tuldoides) plantadas há mais de um século. Segundo a tradição, o Barão Geraldo desejava construir um caminho sombreado para efetuar seus passeios até a cidade de Campinas.

Rusticidade

O bambu é tolerante a solos com baixa fertilidade. Propaga-se em regiões inóspitas onde outros vegetais jamais conseguiriam sobreviver. No entanto, quando se efetuam os tratos culturais adequados a produtividade do bambu pode aumentar significativamente.

Precocidade

Dependendo da espécie de bambu os colmos podem ser cortados após 2 a 4 anos, constituindo-se na matéria-prima natural mais rapidamente produzida. Dependendo da aplicação desejada, esse intervalo de tempo pode ainda ser reduzido.

Diversidade

O bambu apresenta-se sob as mais variadas formas. Algumas espécies são denominadas anãs, com pequeno diâmetro e porte inferior a 1 m; outras, no entanto, são gigantes - diâmetro superior a 20 cm e altura até 30 m. O mais interessante é que todo esse grande desenvolvimento se processa em um intervalo de tempo muito rápido - de até 4 meses.

Leveza

O bambu apresenta uma das estruturas mais perfeitas da natureza, pois combina flexibilidade com leveza. Os colmos, geralmente ocos, são divididos transversalmente por septos (diafragmas), que aumentam a resistência do bambu. Tal fato confere ao bambu cerca de 1/3 da densidade do concreto, por exemplo.

Aproveitamento total

Praticamente nada se perde do bambu. Além dos colmos, que possibilitam múltiplas aplicações, as fôlhas e os ramos também podem ser utilizados na fabricação de vassouras ou na alimentação de animais. Também os resíduos do processamento industrial do bambu podem ser aproveitados para a fabricação de compósitos com aglomerantes orgânicos ou inorgânicos.

Versatilidade

Milhares de usos já foram catalogados para o bambu. Na Ásia diz-se que o bambu acompanha o homem "do berço ao túmulo", tamanha é a sua importância. Para os povos asiáticos, o bambu é considerado uma dádiva dos deuses.

Principais usos

Sombreamento, quebra-vento, proteção contra a erosão, abrigo da vida animal, tutor para culturas, tubo para condução de água, drenagem, artigos de lazer, papel e celulose, carvão, construções rurais (galinheiros, comedouros e bebedouros), divisórias, forros, esteiras e balaios...e outras mais que você deve conhecer!

Construções com bambu

A construção com bambu foi largamente utilizada no meio rural principalmente no período colonial. Construções de pau a pique ainda se encontram presentes em várias regiões brasileiras. O bambu também é objeto de estudos para o reforço do concreto, ou combinado com diversos tipos de aglomerantes.

Desvantagens

Falta de normatização

Ao contrário do que existe para outros materiais de construção o bambu ainda não apresenta especificação técnica para uso na construção. Desse modo os resultados apresentados pelos diferentes autores nem sempre podem ser comparáveis entre si, o que dificulta a tarefa dos projetistas e dos construtores.

Heterogeneidade

Por ser um material natural o bambu apresenta grande variabilidade nos ensaios de caracterização. Numa mesma touceira ocorrem colmos com idades muito variadas e, em decorrência, com comportamento muito diferente durante um ensaio. Fatores ligados ao clima, solo e época do ano também inteferem no comportamento físico-mecânico do bambu.

Vulnerabilidade

A maior parte das espécies de bambu apresenta baixa resistência ao ataque do caruncho (Dinoderus minutus). A presença de amido nas células parenquimatosas do colmo é que provoca o ataque desse inseto. Além disso, o tratamento eficiente dos colmos ainda não alcançou o mesmo nível industrial daquele observado para a madeira.

Instabilidade dimensional

O bambu é muito higroscópico e, em presença de variações de umidade, fendilha e racha. Esse fato, além de causar instabilidade nas construções, abre caminho para o ataque do caruncho. Por não dispor de células dispostas na orientação radial, o bambu racha com maior facilidade do que a madeira.

Ligações ineficientes

Um dos maiores desafios no estudo do bambu refere-se à obtenção de ligações que sejam eficientes. Por não apresentar raios, o bambu fendilha-se facilmente (o que é uma vantagem quando da fabricação de palitos e taliscas), provocando instabilidade da estrutura.

Risco de incêndio

A exemplo do que ocorre para a madeira, construções de bambu apresentam elevado risco durante incêndios. Esse fato ainda é reforçado pelo fato de, geralmente, utilizar-se materiais vegetais na cobertura de quiosques e de outras construções em bambu.

Ausência de ferramentas

Na preparação do bambu utiliza-se ferramentas e equipamentos desenvolvidos para a madeira, fazendo com que os resultados obtidos não sejam totalmente satisfatórios. Lâminas de grande diâmetro e com quantidade inadequada de dentes acabam dilacerando as células de bambu. Além disso, devido à presença de sílica nas células periféricas do colmo, o desgaste das ferramentas é acentuado.

Escassez de mudas

Um dos grandes entraves à disseminação do uso do bambu em construções refere-se à ausência de fornecedores de mudas, quando se pensa na execução de projetos em escala industrial. Apenas para o setor do paisagismo e da decoração encontra-se certa disponibilidade de mudas (embora o preço seja, geralmente, muito elevado).

Preconceito

Infelizmente ainda no Brasil não se descobriu o potencial do bambu para as mais diversas aplicações. Prefere-se considerá-lo como uma erva daninha e associá-lo a obras temporárias ou ligadas à pobreza. Esse fato contrasta com o que ocorre em outros países da América Latina, nos quais o uso do bambu não encontra tantas restrições, sobretudo devido à escassez de madeira nativa.